(1688) 🇸🇪 Emanuel Swedenborg
Emanuel Swedenborg, nascido em 29 de janeiro de 1688 em Estocolmo e falecido em 29 de março de 1772 em Londres, foi um cientista, teólogo e filósofo sueco do século XVIII. Seu nome original era Emanuel Svedberg (ou Swedberg), que foi alterado oficialmente para Swedenborg após sua nobreza.
Na primeira parte de sua vida, Swedenborg foi um cientista e inventor prolífico, o que lhe valeu, em alguns círculos, o apelido de "Leonardo da Vinci do Norte" ou "Aristóteles da Suécia". Aos 56 anos, ele declarou ter entrado em uma fase espiritual de sua vida, durante a qual teve sonhos e visões místicas em que conversava com anjos e espíritos, e até mesmo com Deus e Jesus Cristo, visitando o Paraíso e o Inferno.

Biografia
Anos de Formação
Emanuel Swedenborg nasceu em 29 de janeiro de 1688, em Estocolmo. Seu pai, Jesper Swedberg, era um pastor luterano de origem humilde, que, de capelão militar, se tornou professor de teologia na Universidade de Uppsala e bispo de Skara, com o apoio de Carlos XI. Sua mãe, Sarah Behm, era filha de Albrecht Behm, Assessor do Bureau Real de Minas. Jesper Svedberg e Sarah Behm tiveram nove filhos. Jesper transmitiu a Emanuel seu interesse pelas teses pietistas e a crença na presença de anjos e espíritos na Terra. Após ser nomeado bispo de Skara, ele não pôde mais supervisionar a educação do filho, que foi criado por sua irmã Anna e seu cunhado Ericus Benzelius, bibliotecário-chefe da Universidade de Uppsala e futuro arcebispo da Suécia, com quem Swedenborg manteve uma estreita relação ao longo de sua vida.
Emanuel se matriculou na Universidade de Uppsala em 1704 e obteve seu doutorado em filosofia em 1709, com uma tese sobre as sentenças de Sêneca e Publilius Syrus. Para se distrair, ele tocava órgão na catedral de Uppsala. Em 1710, ele começou sua Grande Viagem pela Europa. Após uma travessia conturbada, chegou à Inglaterra, onde quase foi enforcado por violar involuntariamente as regras de quarentena. Ele ficou dois anos e meio em Londres e Oxford, onde estudou física, mecânica e filosofia, conhecendo Halley, Woodward e Flamsteed, mas não conseguiu se encontrar com Newton. Também morou com artesãos, aprendendo relojoaria, marcenaria e fabricação de instrumentos de medição.
Depois, passou pela Holanda, onde em 1712, em Leiden, aprendeu a fabricar lentes ópticas e frequentou o observatório astronômico. Em Utrecht, associou-se ao embaixador sueco Palmqvist. Passou por Bruxelas, Paris, e, em 1714, voltou para a Suécia, onde, a pedido de seu pai, publicou diversos escritos literários e científicos.
Período Científico
De volta à Suécia em 1715, Swedenborg dedicou-se às ciências e invenções por cerca de 20 anos. Em 1716, com seu amigo Christopher Polhem, fundou o primeiro jornal científico sueco, Daedalus Hyperboreus, que publicou os primeiros trabalhos da Sociedade Real de Ciências de Uppsala, da qual Swedenborg foi um dos primeiros membros. Em 1718, ele foi nomeado Assessor do Colégio das Minas, função que envolvia o acompanhamento de projetos de grande porte, como os docks de Karlskrona e as eclusas do Lago Väner.
Entre 1719 e 1721, Swedenborg publicou tratados sobre movimento da Terra e dos planetas, bem como sobre o comportamento das marés e fenômenos naturais. Em 1721, ele viajou à Holanda, publicando diversos trabalhos científicos, incluindo métodos para determinar as longitudes geográficas por observações lunares.
Em 1724, ele recusou uma cadeira de matemática na Universidade de Uppsala para se dedicar ao seu grande projeto, Principia, que durou 12 anos. Ele formulou hipóteses sobre a formação do sistema solar, a teoria moderna do átomo, a natureza da Via Láctea, e propôs teorias sobre a luz, o calor e o magnetismo, antecipando trabalhos de cientistas como Franklin e Faraday.
Estudos Anatômicos
Na década de 1730, Swedenborg começou a se interessar pelas questões espirituais e pela relação entre matéria e espírito. A partir de então, ele se dedicou ao estudo da anatomia, descobrindo a função das glândulas endócrinas, localizando centros sensoriais e motores no cérebro, e realizando avançadas pesquisas sobre a circulação sanguínea. Ele também produziu estudos médicos e psicológicos muito à frente de seu tempo.
Em 1735, após a morte de seu pai, Swedenborg entrou em uma grave crise afetiva, o que aprofundou ainda mais seu interesse pelas questões espirituais. Ele viajou por toda a Europa, frequentando aulas de Christian Wolff, teatros em Rotterdam e Paris, e realizou estudos sobre o corpo humano e suas relações com a alma.
Período Místico
Em 1741, Swedenborg começou a experimentar visões místicas, nas quais se via em contato direto com o mundo espiritual. Ele acreditava ter sido chamado por Deus para uma missão especial e começou a registrar suas visões e experiências em seu Diarium Spirituale e outros escritos. Ele abandonou as pesquisas científicas e passou a se dedicar exclusivamente à teologia e à filosofia espiritual, desenvolvendo uma visão de que o mundo material e espiritual estavam intimamente interconectados, sem fronteiras rígidas.
Ele passou a acreditar que o céu e o inferno não eram apenas lugares de recompensa ou punição, mas estados espirituais escolhidos pelas pessoas, onde o céu representava um espaço de altruísmo e empatia, enquanto o inferno era caracterizado pelo egoísmo e pela busca incessante de poder.
Últimos Anos
Nos últimos anos de sua vida, Swedenborg publicou diversos textos teológicos e filosóficos, incluindo Os Arcanos Celestes e O Juízo Final. Suas obras influenciaram movimentos espirituais posteriores, e ele deixou um legado duradouro na compreensão do espiritualismo e das relações entre corpo e espírito. Swedenborg morreu em Londres em 1772, mas suas ideias continuaram a ser estudadas e admiradas, particularmente pela Igreja Nova, que seguiu seus ensinamentos.
Sua obra teológica deixou uma marca profunda no campo do espiritualismo, destacando a importância da correspondência entre o mundo material e o mundo espiritual, com ênfase na regeneração do ser humano e na sua capacidade de alcançar a verdade espiritual através do amor e do conhecimento.