(1527) 🇬🇧 John Dee
John Dee (13 de julho de 1527 – 1608 ou 1609) foi um matemático, astrônomo, astrólogo, alquimista, filósofo hermético e conselheiro da rainha Elizabeth I. Figura complexa da Renascença inglesa, Dee personifica a interseção entre a ciência emergente, a erudição humanista e as tradições mágico-ocultas no século XVI.
De origem galesa, Dee recebeu uma educação formal rigorosa. Graduou-se no St John's College, Cambridge, e tornou-se um dos primeiros fellows do Trinity College, fundado em 1546. Seus estudos prosseguiram na Europa Continental, em Louvain e Bruxelas, onde teve contacto com eminentes matemáticos e cartógrafos como Gerardus Mercator e Abraham Ortelius. De regresso a Inglaterra, trouxe uma notável coleção de instrumentos cientÃficos e matemáticos.
A sua carreira na corte inglesa foi marcada por um duplo aspecto. Por um lado, atuou como conselheiro cientÃfico e técnico, defendendo a fundação de colónias no Novo Mundo – sendo-lhe frequentemente atribuÃda a primeira utilização do termo "Império Britânico" – e contribuindo para a navegação e a cartografia. A sua "Mathematical Preface" para a tradução inglesa de "Os Elementos" de Euclides (1570) tornou-se a sua obra mais influente, promovendo o valor da matemática para um público leigo. Por outro lado, dedicou-se intensamente ao hermetismo, à alquimia e à cabala. A sua obra "Monas Hieroglyphica" (1564) é um tratado cabalÃstico e alquÃmico profundamente complexo que propunha um glifo único (a Moade HieroglÃfica) como sÃmbolo da unidade cósmica.

A fase final da sua vida foi dominada pela busca do conhecimento através de meios sobrenaturais. A partir de 1582, associou-se a Edward Kelley, que atuava como seu scryer (vidente). Através de Kelley, Dee acreditava comunicar-se com anjos, com o objetivo de aprender a lÃngua angélica original (o "Enochiano") e descobrir os segredos espirituais do cosmos. Estes "colóquios espirituais" eram conduzidos com extrema piedade cristã. A sua parceria com Kelley levou-os a peregrinar pelas cortes da Europa Central, incluindo a do Imperador Rodolfo II em Praga. Um episódio notório ocorreu em 1587, quando Kelley alegou que o anjo Uriel ordenara a partilha de todas as suas posses, incluindo as suas esposas, o que levou ao eventual rompimento da sua sociedade.
O seu legado foi profundamente marcado pela forma como foi percebido após a sua morte. A publicação póstuma em 1659 dos seus diários de conferências angélicas, por Méric Casaubon, criou a imagem persistente de Dee como um fanático ingénuo enganado por espÃritos malignos. Esta perceção só começou a ser revertida no século XX, graças ao trabalho de historiadores como Frances Yates, que recontextualizaram o seu pensamento dentro do neoplatonismo renascentista e do hermetismo. Hoje, Dee é reconhecido como um erudito sério, dono de uma das maiores bibliotecas da Inglaterra elisabetana, um pioneiro da navegação e da cartografia, e um profundo pensador que não via contradição entre a sua investigação matemática e a sua busca por um conhecimento transcendental e divino. A sua vida ilustra de forma paradigmática a inextricável ligação entre magia, religião e ciência no alvorecer do mundo moderno.
A sua carreira na corte inglesa foi marcada por um duplo aspecto. Por um lado, atuou como conselheiro cientÃfico e técnico, defendendo a fundação de colónias no Novo Mundo – sendo-lhe frequentemente atribuÃda a primeira utilização do termo "Império Britânico" – e contribuindo para a navegação e a cartografia. A sua "Mathematical Preface" para a tradução inglesa de "Os Elementos" de Euclides (1570) tornou-se a sua obra mais influente, promovendo o valor da matemática para um público leigo. Por outro lado, dedicou-se intensamente ao hermetismo, à alquimia e à cabala. A sua obra "Monas Hieroglyphica" (1564) é um tratado cabalÃstico e alquÃmico profundamente complexo que propunha um glifo único (a Moade HieroglÃfica) como sÃmbolo da unidade cósmica.