(1255) ?? Bahya ben Asher ibn Halawa
Bahya ben Asher ibn Halawa (בחיי בן אשר אבן חלואה, 1255–1340) foi um rabino e estudioso do Judaísmo, mais conhecido como comentador da Bíblia Hebraica. Ele é um dos dois estudiosos atualmente referidos como Rabbeinu Behaye, o outro sendo o filósofo Bahya ibn Paquda.
Biografia

Bahya foi aluno do rabino Shlomo ibn Aderet (o Rashba). Ao contrário deste, Bahya não publicou um comentário sobre o Talmud; no entanto, é considerado pelos estudiosos judeus um dos exegetas bíblicos mais distinguidos da Espanha. Ele "exerceu com zelo" as funções de darshan (explicador) na sua cidade natal, Saragoça, compartilhando esta posição com outros. Ele está sepultado em Kadarim, Israel, a poucos minutos a pé do túmulo do profeta Habacuque.
Obras
A principal obra de Bahya é o seu comentário sobre a Torá (os cinco livros de Moisés), mas ele também é conhecido por outras obras, especialmente Kad ha-Kemah.
Comentário da Torá
O comentário da Torá, "מדרש רבינו בחיי על התורה" (Midrash Rabbeinu Bahye sobre a Torá), teve grande aceitação, como demonstrado pelos inúmeros supercomentários publicados sobre ele (não menos que dez foram enumerados por Bernstein). Devido ao grande espaço dedicado à Cabala, a obra foi particularmente valiosa para os cabalistas.
O comentário de Bahya é considerado por muitos como "encantador" em sua forma. Cada parashá (lição semanal) começa com uma introdução que prepara o leitor para as ideias fundamentais a serem discutidas, e esta introdução traz um lema em forma de versículo retirado do Livro de Mishlei (Provérbios). Além disso, as frequentes questões levantadas forçam o leitor a participar do processo mental do autor, removendo o risco de monotonia.
Ao preparar seu comentário, ele "investigou profundamente" as obras dos exegetas bíblicos anteriores, utilizando todos os métodos que estes empregaram em suas interpretações. No entanto, Rabino Bahya também recorreu a fontes não judaicas. Em sua exegese bíblica, Bahya tomou como modelo o rabino Moisés ben Nahman (Nachmanides ou Ramban), o mestre de Shlomo ibn Aderet, que foi o primeiro grande comentarista a fazer uso extensivo da Cabala para interpretar a Torá. Bahya enumera os seguintes quatro métodos, que ele considera indispensáveis para o exegeta:
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Peshat: O "sentido literal" do texto por si só.
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Midrash ou exegese aggádica.
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Análise lógica e filosófica: Seu objetivo era demonstrar que as verdades filosóficas já estavam embutidas na Bíblia, que, sendo uma obra de Deus, transcende toda a sabedoria humana. Ele reconhecia os resultados do pensamento filosófico, mas apenas na medida em que não entrassem em conflito com a tradição judaica.
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Método da Cabala, denominado por ele como "o caminho da luz", que a alma em busca da verdade deve seguir. Ele acreditava que, por meio desse método, poderiam ser revelados os profundos mistérios escondidos na Bíblia. Em geral, Bahya não revelava suas fontes cabalísticas, mencionando apenas o Sefer HaBahir e as obras de Nachmanides. Ele só menciona o Zohar duas vezes.
O comentário foi impresso pela primeira vez em Nápoles em 1492, com edições posteriores publicadas em Pesaro (1507, 1514, 1517), Constantinopla (1517), Rimini (1524) e Veneza (1544, 1546, 1559, 1566 e outras).
Outras obras
A obra seguinte mais famosa de Bahya é o Kad ha-Kemah (כד הקמח, "O Jarro de Farinha"; Constantinopla, 1515). Consiste em sessenta capítulos, organizados alfabeticamente, contendo discursos e dissertações sobre os requisitos da religião e da moralidade, bem como práticas ritualísticas judaicas. Kad ha-Kemah é tanto uma obra de musar (ética) quanto de filosofia: É considerada uma obra ética, pois seu propósito é promover uma vida moral; é também uma obra filosófica, pois Rabbeinu Bahya busca dar aos seus ensinamentos éticos um aspecto filosófico. Nela, Bahya discute temas como: crença e fé em Deus, os atributos divinos e a natureza da providência, o dever de amar a Deus e caminhar diante Dele com simplicidade e humildade, o temor de Deus, a oração judaica, a benevolência e o amor à humanidade, a paz, a administração da justiça, a santidade do juramento, o dever de respeitar a propriedade e honra do próximo, as festividades judaicas e a halakhá (lei judaica).
Outra obra de Bahya é o Shulkhan Shel Arba (Mesa dos Quatro), que consiste em quatro capítulos. Os três primeiros tratam das regras religiosas de conduta relativas às refeições, enquanto o quarto capítulo trata do banquete dos justos no mundo vindouro. Esta obra também foi frequentemente publicada, e a primeira edição de Mântua (1514) foi erroneamente atribuída a Nachmanides.
Há também menção a uma obra intitulada Hoshen ha-Mishpat (Peitoral do Julgamento), que pode ter sido escrita por Bahya. Esta obra é referida apenas uma vez por ele, e não se sabe ao certo se foi realmente escrita.
Obras incorretamente atribuídas a ele
Vários livros atribuídos ao autor simplesmente como "Bahya" ou cujos autores são desconhecidos, foram erroneamente associados a Rabbeinu Bahya ben Asher. Muitos estudiosos contemporâneos da obra de Bahya demonstraram que essas atribuições são espúrias. Entre eles estão:
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Ha-Emunah ve-ha-Bittahon (Korets, 1785)
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Ma'arekhet ha-Elohut (Mântua, 1558)
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Ma'amar ha-Sekhel (Cremona, 1557)
Um livro supostamente escrito por Bahya, editado por M. Homburg com o título Soba Semakhot (Plenitude da Alegria), que seria um comentário sobre o Livro de Jó, na verdade é uma compilação feita por um editor posterior de duas das obras reais de Bahya, Kad ha-Kemah (Constantinopla, 1515) e Shulhan shel Arba (Mântua, 1514).